A amabilidade dos deuses.
O
anelo do tempo retorna a si em renovado advento,
a
aurora da vida há muito feneceu,
enquanto
em si à espera de original elemento
no
coração d' ausência desapareceu
o
ente que pensou viver só porque sofreu
emoções,
sensações, assimilação e excremento.
É
irônico o tempo que nem sequer existe.
Ele
passa pelo espaço e corrói até o aço;
por
isso, mesmo sem existir, só o tempo subsiste
e
a tudo reclama, sem dizer que ama,
para
o aconchegante final no abraço,
donde
derrama compaixão, crueldade e lama.
Acima
de tudo, os deuses estão sem saber da sorte...
...Flutuam
serenos em espetáculos simples e amenos...
sem
saber da sorte daqueles que nascem para a vida da morte.
E
quanto mais o destino é a morte, tanto menos
a
sorte se torna virtude, e a virtude, beatitude;
posto
que a sorte é tua conforme a tua atitude,
E
se tua alma pesada, sôfrega e langue
desce
ao inferno e queima no gelo eterno,
e
se renasceste pobre no cangaço, na roça ou no mangue,
se
não preservaste a virtude da raça e do sangue,
se
não mereceste, órfão, carinho de seio materno
ou
mesmo herança paterna de espírito-matéria
celeste,
é
porque nunca devir à vida pudeste,
é
porque os deuses de ti se esqueceram,
e
há muito tuas origens no Cosmos feneceram.
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