terça-feira, 25 de junho de 2013

Amabilidade de Deuses

Este poema "Amabilidade de Deuses" foi escrito imediatamente após a morte de meu querido pai; agradeço aos deuses pelos bons pai e mãe que tive; o sentido deste poema é semelhante ao ensinamento do Sagrado e Secreto Sutra da Aniquilação, de minha autoria aos 19 e 20 anos de idade, que se perdeu e que não pretendo rememorar em sua integridade. A esperança é a única que permaneceu na caixa aberta por Pandora; esta caixa é o coração dos mortais, e tudo que se vê fora é o que saiu da caixa, mas a essência interna da volição universal é o que permanece escondida, a chama secreta da vida, que permanece à toda destruição e criação.

     A amabilidade dos deuses.


O anelo do tempo retorna a si em renovado advento,
a aurora da vida há muito feneceu,
enquanto em si à espera de original elemento
no coração d' ausência desapareceu
o ente que pensou viver só porque sofreu
emoções, sensações, assimilação e excremento.

É irônico o tempo que nem sequer existe.
Ele passa pelo espaço e corrói até o aço;
por isso, mesmo sem existir, só o tempo subsiste
e a tudo reclama, sem dizer que ama,
para o aconchegante final no abraço,
donde derrama compaixão, crueldade e lama.

Acima de tudo, os deuses estão sem saber da sorte...
...Flutuam serenos em espetáculos simples e amenos...
sem saber da sorte daqueles que nascem para a vida da morte.
E quanto mais o destino é a morte, tanto menos
a sorte se torna virtude, e a virtude, beatitude;
posto que a sorte é tua conforme a tua atitude,

E se tua alma pesada, sôfrega e langue
desce ao inferno e queima no gelo eterno,
e se renasceste pobre no cangaço, na roça ou no mangue,
se não preservaste a virtude da raça e do sangue,
se não mereceste, órfão, carinho de seio materno
ou mesmo herança paterna de espírito-matéria celeste,
é porque nunca devir à vida pudeste,
é porque os deuses de ti se esqueceram,
e há muito tuas origens no Cosmos feneceram.

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