terça-feira, 25 de junho de 2013

Desde que hajas nascido, mortal, só te resta chorar;
se és proveniente do tempo primordial que já não há,
nada te espera enquanto habitas este tempo-espaço;
as flores não luzem mais alegria de crianças saudáveis;
sente o frio seco e vê como as cinzas nuvens encobrem a verdade dos céus aos que não podem voar além da atmosfera e da gravidade da Terra!
Pois nem da terra em que pisam podem sofrer a dor de morte,
e nem a presença dos deuses podem apreender nos fenômenos;
suas paixões já não estão em concordância com o impulso primeiro,
a matéria se degrada, os corpos se degeneram e a mente morre sem cessar;
como culpar os viventes de não saberem o que é vida ou morte,
se nem mais a vida universal deseja viver e proliferar-se eternamente?
Semelhante à melodia da chuva de novembro, a liberdade se aliena solitária
na incapacidade tanto de ser quanto de não ser;
por isso, os mortais dispersam a própria existência,
enquanto estão aqui e lá, acolá, distantes da absoluta essência,
embora esta se preserve onipresente além do filtro das individuações.
Violinos, flautas transversas, violoncelos, pianos...
solitários na sala vazia ecoam o silêncio dos desconcertos,
enquanto espíritos mortos da música aguardam o Maestro ressuscitar da depressão dos séculos e de todos os seres viventes que foram, que são e que virão a ser... nascendo e morrendo;
o sofrimento silencioso da grande permanência há de findar,
caso se manifeste real compaixão do Deus dos Deuses em oferta de vida e graça aos que morrem;
enquanto a morte oculta sua presença no mundo das aparências,
volições esquecidas retornam ao fulcro da matéria,
sem contudo poderem se unir ao espírito que tudo percebe e tudo concebe;
criança pura e serena, inteligência criadora, ação geradora e mantenedora,
nada destrói, tudo sustenta, por tudo sofre, enquanto cada ente que vive a morrer deseja sempre a morte em lugar da vida,
posto que esta se mantém oculta no resguardo de si mesma,
sem vontade de apropriação e incapaz de violência,
nunca apreensível por intelectos mortais ou tecnologias,
nunca sensível às brutas paixões de corpos que morrem,

nunca manchada pelas almas que pulsam a dissolução da matéria e da forma.     

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