terça-feira, 2 de julho de 2013

Soneto da Imperfeição dos entes no Tempo

Instigante é o teu ser, oh inexprimível complacência.
Desvairados, os produtos de tua vontade sucumbem,
as individuações de tua una vontade se inibem,
enquanto a morte se mostra em tua suprema evanescência.

Todavia, autopercepção, percebo tua grandiosa indiferença,
a tua dor me aniquila, enquanto mortal, no jogo sublime
do Tempo, cuja hibernação na matéria de toda humana crença
à luz de uma lembrança jamais tua essência exprime.

Instigante é o teu ser, oh insondável e infinito desejo,
desprotegidos, os filhos de tua senhora escorrem,
como lodo excrescente de geração e corrupção os vejo,

escorrem pelas vias múltiplas, e pela única via morrem
todos os acenos de vida que, sem ao menos um gracejo,
no torpor da Indiferença do Tempo se corroem.  
   

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