vai ao Brilho do Sol sobrepujando;
Estes esqueletos de mármore não entendem meus soluços;
ninguém entretém os filhos de alguém
que se entretém com ninguém dormindo de bruços.
O vento frio namora as cinzas nuvens, sorrindo
vai a sobrepujar o menino, essa força do Tempo
que alegria pura e inocente não vê
no coração dessa gente, bons católicos,
que nunca houve no Céu e na Terra, amém;
hoje ninguém vê os filhos do Tempo;
alguém talvez um dia dê soluços de presente ao Tempo,
mas nunca certamente alguém será como antes,
pois dormindo de bruços podem vomitar sem querer,
bons católicos no Céu e na Terra é para inglês ver.
Eu vi ninguém passar por aqui, ele cuspiu uma nuvem.
Eu vejo ninguém voltar para cá, ele cospe soluços e nu vem.
Ele vem de peito aberto e flutua de bruços para o além;
o Tempo ainda está o mesmo devir, sem espaçamento,
não se cristaliza em formas geométricas, ainda menos
poderia ser cristais de lembrança d'algum sentimento
que tenha pulsado no coração de meninos amenos;
bons garotos, SIM, jogam Rock and Roll;
um deles somente, foi largado ao jogo do Tempo;
e sem amor viu escurecer a nuvem de pensamento,
enquanto fantasmas de bons católicos pediam perdão
por nunca haverem sido fiéis ao Templo e à Palavra,
pois jogando futebol fraturam o dedão.
Hoje eu vi passar por aqui uma daquelas nuvens psicanalíticas;
quando elas vêm, meninas e soluços internos rebolam desdém,
enquanto poesias aidéticas e sifilíticas
anunciam a chegada do advento do momento que vem
e antecede ao último suspiro de almas doentes e suas volições paralíticas.]
Mas somente os pais do menino foram bons católicos;
o menino brincalhão rezava com fé, mas Deus Veraz lhe escolheu;
por isso o menino só se fudeu! Antes não fosse escolhido,
escolhido por bestas apocalípticas e bafinhos alcoólicos,
a fim de que nunca precisasse ser crucificado e esquecido.
Os pais do menino, proletários assalariados, nunca rezaram para Karl Marx,]
nunca leram a Crítica da Economia Política, e que comigo toda Nação da Terra cante, porque, sabe o quê?
sem nunca haver lido Kant, os pais viviam sob a Lei do Imperativo Categórico]
e amaram seu filhinho Hiperativo Eufórico.
Dos soluços que causastes, oh linda loirinha,
flor límpida e pura, sorriso de celeste crueldade,
que aos corações deixa ébrios à caipirinha,
o mais intenso revelou-se fealdade
que em aparência exterior no espaço minha
também foi tua essência interior, liberdade
para ser e devir na festa, na pista e no abraço
último em que selei da separação, para sempre, o laço.
Essas sombras cheiram mau, como pombas públicas
que voam na praça e contam piadas sem graça.
Essas ovelhas têm bafos podres, como velhinhas
que se guardam em odres, e acendem velinhas
para espantar fantasmas e odores, bebendo o sangue,
comendo a carne do Deus encarnado, na Igreja,
depois de sentarem-se no bico da garrafa de cerveja.
Todavia deveis ter esperança, meus filhos, pois
de crianças vós sendo passadas depois,
podereis ler poetas malditos e sereis também vós malditos,
pelos séculos dos séculos, pela concessão de destino,
que não vos permite mais serdes humilde menino.
Vós sois todos os que Um foi no Samsara, na transmigração,
no ocultismo criterioso dos deuses,
nos cânticos fúnebres dos Mistérios de Elêusis,
vós sois o eterno condenado à Destruição e Criação
da alma, do corpo e do espírito, lereis e sereis como lerdes,
com quem lerdes, a Palavra da Salvação, na Libação do sangue,
na queimação da carne, que é langue, e no entoar da canção,
Children of the Damned, do número da besta 666, e lereis Baudelaire e emocionar-vos-eis com Rimbaud outra vez,
no Eterno Retorno das ondas do Leme e de Ipanema;
ora, se não sois Bem-Aventurados entre os Budas, qual o problema?
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